Balalaica

balalaika-russia

Orquestra das balalaikas do Osipov (Rússia)

Balalaica é um instrumento musical de três cordas, parente do violão e do cavaquinho. Considerado tipicamente russo também é bastante comum na Bielorrússia, Ucrânia e Cazaquistão. Uma das primeiras menções escritas sobre Balalaica data do início do século XVIII e relata a briga entre dois cocheiros que apanharam de Balalaica da terceira pessoa. Aliás, naquela época, o instrumento era oval e não triangular como hoje.

Engana-se quem pensa que existe uma única versão da Balalaica, aquela vendida nas lojas de souvenir. No final do século XIX, depois de décadas de existência como um instrumento do povo, tornou-se parte integrante de orquestras de corda, cujo repertório erudito era composto de arranjos de canções folclóricas russas, obras clássicas e músicas do autor.

balalaika-na-russiaAtualmente, as Balalaicas variam de tom e de tamanho: a menor mede cerca de 60 cm (a prima) e a maior tem impressionantes 1,7m de comprimento (Balalaica-contrabaixo). O instrumento adquiriu sua aparência atual graças ao músico e educador Vassíli Andreiév e ao mestre F. Passerbski. Eles criaram uma família de Balalaicas. Hoje, as orquestras de instrumentos populares russos usam cinco variedades de Balalaica: prima, segunda, alto, baixo e contrabaixo. Entre elas, a Balalaica prima é o instrumento de solo virtuoso, enquanto os outros exercem funções de acompanhamento e de graves. Hoje, algumas bandas de rock, às vezes também tocam Balalaica.

Curiosamente, o nome do instrumento transmite o caráter de sua sonoridade. A palavra “Balaláica” ou “balabáika”, como também é chamado, origina-se das palavras russas балакать, балабонить, балагурить (balákaty, balabónity, balagúrity) que significam “falar sobre algo insignificante, bater papo, jogar conversa fora, brincar”. Todos estes significados, complementando um ao outro, transmitem a essência da Balalaica como um instrumento leve e chistoso.

Imaginem: É inverno russo. A neve está caindo e ali um homem que estava de folga em casa pegou sua Balalaika e começou a tocar. Nada disso! Infelizmente, podem esquecer essa história! É mais provável que ele pegue um violão.

Clicando no link vocês podem ouvir Orquestra das balalaicas do Osipov.

Se você gostou deste artigo e gostaria de aprender mais sobre a cultura russa e seu idioma, você pode fazer nosso curso de russo

Anastassia Bytsenko
Anastassia Bytsenko

Professora do Clube Eslavo. Concluiu pós-graduação no Departamento de Literatura e Cultura Russa da Universidade de São Paulo. Defendeu a tese de doutorado “Lev Tolstói e o Teatro: Texto e Contexto de O Cadáver Vivo” na mesma universidade. Ministra aulas de língua e literatura russa, oferece vários cursos e palestras. Realizou traduções de obras de literatura e ensaística da língua russa para o português (por exemplo: FLORIÉNSKI, P. A Perspectiva Inversa. Editora 34, 2012; TARKÓVSKI, A.A. O Sacrifício. É Realizações, 2012; TOLSTÓI, L.N. Sobre Shakespeare e o teatro. Companhia das Letras, 2011; ZINGUERMAN, B. As Inestimáveis lições de Stanislávski; In: TEATRO RUSSO: Literatura e Espetáculo. Ateliê Editorial, 2011, etc.)

  • Raracho. Kracivaia. Nunca mais esqueci daquela balalaika no inicio do filme Doutor Jivago…