21 de setembro: A Batalha de Kulikóvo

Виктор Маторин, Павел Попов «Удар Засадного полка» 2001 
Viktor Matorin, Pavel Popov “Ataque do regimento emboscado”, 2001

No dia 21 de setembro de 1380, aconteceu uma daquelas batalhas que mudam o rumo da história. O domínio da Horda Dourada (o império tártaro-mongol) nos territórios da atual Rússia e Ucrânia durou aproximadamente cento e cinquenta anos até a Batalha de Kulikóvo que viria para marcar um ponto de virada na luta dos russos contra o jugo tártaro-mongol.

Os principados russos eram tributários da Horda que regularmente fazia violentas incursões militares para manter seu domínio. Contudo, no século XIV durante o governo do Príncipe Dmítri o pequeno principado de Moscou começou a crescer, ampliando seu poder e território.

No verão de 1380, o novo governante do império mongol, Khan Mamai assumiu o poder em Horda e empreendeu uma campanha militar. Ao saber da movimentação dos tártaro-mongóis na direção de Moscou, o príncipe Dmítri reuniu vários exércitos vindos das regiões norte e leste da Rússia, dos principados de Súzdal, Tver, Smolénsk e outros. Suas tropas ganharam bênção do reverendo Sérgio de Radonej (atualmente um dos mais venerados santos da Igreja Ortodoxa russa).

A batalha acorreu no dia 21 de setembro de 1380 (8 de setembro pelo calendário Juliano) no Campo Kulikóvo perto da foz dos rios Don e Nepriádva. Conta a lenda que ela começou com a luta entre o guerreiro russo Peresvét e o mongol Chelubei que acabaram ambos morrendo. Em seguida, estourou uma longa e feroz batalha. As crônicas “A Lenda da Peleja de Mamai” relatam que as tropas russas entraram em batalha carregando uma bandeira de cor vermelha escura com uma imagem de Jesus. Cronistas narram também que após algum tempo os cavalos não conseguiam mais evitar de pisar os cadáveres, tal era a quantidade de vítimas espalhadas pelo chão.

Виктор Авилов «Поединок Пересвета с Челубеем» 1943, 
Viktor Avilov “Duelo do Peresvet e Chelubey”, 1943

O príncipe Dmítri lutou na frente de suas tropas. Por fim, o inimigo não suportou os ataques e começou a recuar. Um regimento de emboscada perseguiu os tártaros e os empurrou para dentro do rio onde foram mortos em “quantidade incontável”. O exército mongol foi completamente derrotado, Mamai fugiu para Crimeia onde foi assassinado. As perdas totais somaram cerca de 20 mil pessoas de ambas as partes, sendo que a quantidade dos exércitos é difícil de ser definida com precisão. Contudo, segundo testemunhos, o exército mongol era bem mais numeroso do que o russo.

A batalha de Kulikóvo teve uma grande importância histórica para a Rússia. Essa vitória não levou à eliminação do jugo tártaro no país, no entanto, a derrota no campo Kulikóvo foi um golpe forte sobre o predomínio da Horda Dourada e acelerou sua posterior derrota. Outra consequência importante da Batalha de Kulikóvo foi o fortalecimento do papel de Moscou na formação da Rússia como um Estado Moderno. O príncipe Dmítri começou a ser chamado de Dmítri Donskói (por causa do rio Don onde ocorreu a batalha). Durante seu governo também foi construído o primeiro Kremlin (fortaleza, em russo) da cidade de Moscou. De acordo com o historiador russo Lev Gumilióv: “Os russos foram para o campo Kulikóvo como cidadãos de vários principados e voltaram como uma nação russa unida”.

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Anastassia Bytsenko
Anastassia Bytsenko

Professora do Clube Eslavo. Concluiu pós-graduação no Departamento de Literatura e Cultura Russa da Universidade de São Paulo. Defendeu a tese de doutorado “Lev Tolstói e o Teatro: Texto e Contexto de O Cadáver Vivo” na mesma universidade. Ministra aulas de língua e literatura russa, oferece vários cursos e palestras. Realizou traduções de obras de literatura e ensaística da língua russa para o português (por exemplo: FLORIÉNSKI, P. A Perspectiva Inversa. Editora 34, 2012; TARKÓVSKI, A.A. O Sacrifício. É Realizações, 2012; TOLSTÓI, L.N. Sobre Shakespeare e o teatro. Companhia das Letras, 2011; ZINGUERMAN, B. As Inestimáveis lições de Stanislávski; In: TEATRO RUSSO: Literatura e Espetáculo. Ateliê Editorial, 2011, etc.)

  • Henrique Ferreira

    Linda história. Muitos tentaram conquistar a Europa, de muçulmanos a mongols.