O que é Banya na Rússia

Você sabe o que é “Russkaya banya”?

Banya Antiga do InteriorNa Rússia a banya tem seus adeptos desde muito antigamente. Um cronista russo Nestor falou a respeito de sua origem no século I d.C., quando Santo Apóstolo Andrei, divulgando a palavra do Evangelho em Kiev, depois partiu para Novgorod, onde tinha visto um milagre – as pessoas que tomavam banho bem quente. Dentro, a descrição do Nestor, todos ficavam com cor de lagosta cozida. Em banyas de madeira aquecendo bem o forno, “entravam nus e derramavam a água sobre si. Após isso pegavam a vara (a vassoura) e começaram a se chicotear, e chicoteavam o necessário para que saísse o mal vivo. Mas depois, encharcavam se com água fria para voltaram à vida. Não sendo torturado por ninguém, se torturavam e executavam não o banho, mas o sofrimento”.

Pessoas na BanyaA banya sempre teve um papel importante na vida doméstica do povo russo. Não somente nas casas ricas havia banyas próprias, mas também (e principalmente no interior) nas casas pobres. Para a população pobre nas cidades existem as banyas comuns (“tsarskie mylni”). A banya tem forno de pedra que cria um vapor bem forte para o povo russo que é uma necessidade da vida e não era apenas um meio para cumprir a limpeza e higiene pessoal, mas também servia como um remédio universal para todas as doenças. E não somente isso. A banya para o povo russo era a fonte do verdadeiro prazer de descanso para corpo e a alma, a purificação corporal e até mesmo a moral e perfeição.

Estar em banya e descansar depois disso é como um ritual na maioria das regiões da Rússia. Começando com os pobres e terminando com os príncipes, era o costume ao entrar na banya, quando uma pessoa está se preparando para tomar um banho de vapor (não somente banho), dar-lhe algumas fatias de rábano. Depois de comê-los, a pessoa partia a “parilka” (sala com vapor). Para saciar a sede em banya, e principalmente no vestiário, tinha sempre pronto kvas fresco aromatizado com hortelã ou outras ervas aromáticas. Para dar um banho de vapor para vassouras e aumentar o vapor na sala de vapor ferveram kvas com hortelã. (Na verdade, a hortelã desempenhou um papel importante). Dentro da banya os bancos eram cobertos com hortelã e outras ervas. Nos bancos, do lado das vassouras frescas (geralmente de bétula), “ficavam recipientes de madeira para lavar o rosto e de madeira de bétula com o kvas com o cheiro de menta que servia para despejar no corpo inteiro antes de subir no banco, que era feito de madeira de tília e molhado de água fervente em volta de vapor cheirava como mel de tília. ”

Estrangeiros sobre “banya” russa

Na Rus (país que existia antes da Rússia), a banya surgiu bem antes que os eslavos se tornassem cristãos e ela é a sua própria invenção. Em favor desta hipótese falam se muitas coisas: o ritual dos eslavos de tomar banho que tem sua característica única e não se parece com nenhum outro, as declarações dos estrangeiros sobre banho russo, que indicam que algo parecido antes de chegar na Rússia esses estrangeiros não sabiam. É curioso ler as opiniões dos estrangeiros sobre paixão dos russos por sua banya. “E eles não têm banheiros, mas montam uma casa de madeira e fecham todos os buracos com o verde musgo. Em um dos cantos da casa montam a lareira de pedras e no topo do teto abrem uma janela para o fumaça sair. Na casa sempre tem o reservatório para água, com qual a derramam na lareira bem aquecida, e assim sobe o vapor quente. E nas mãos de cada tem vassouras de galhos secos, com qual eles batem um outro … E então os poros do seu corpo se abrem e fluem os rios de suor e em seus rostos está a alegria e o sorriso “- assim falou sobre banha russa um viajante árabe. Imediatamente após o banho os russos estão acostumados derramar em si a água fria, e se for o rio próximo, em seguida, mergulhar no rio, apesar da época do ano – inverno ou verão. Além disso, muitas pessoas gostam esfregar o corpo com a neve.

Criança e Mulher depois da BanyaOs contemporâneos argumentam que nem os alemães nem os franceses conseguiam suportar o calor russo. Os estrangeiros acreditaram que a banya é como um meio de transpiração muito útil. Mas ficar dentro do vapor assim como na Rússia, é prejudicial. “O corpo e o cérebro relaxam. A pele perde sua elasticidade, fica pálida e logo se desvanece com rugas. As mulheres perdem o viço, envelhecem prematuramente”. Assim falavam alguns médicos europeus. Os estrangeiros ficaram surpreendidos que os russos os puxassem também para banya, que foi considerando quase como um atributo obrigatório de comunicação. Jacob Reytenfels escreveu que “os russos consideram que é impossível concluir uma amizade sem se convidar para a banya e depois jantar na mesma mesa.”

Também os estrangeiros foram bastante surpreendidos porque os deveres de casar dos russos foram associados com fato de tomar banheiro. Na época antiga foram observadas estritamente as regras: o noivo antes do dia do casamento tinha que tomar banho em bahya, e depois da lua-de-mel o casal vai para a banya juntos. Esses costumes seguiram também os reis e príncipes até o início do século XVIII. Na véspera do casamento, a mãe da noiva assava o pão – “bannik”, com qual ela abençoou para coroar os jovens. Este pão, e um pássaro frito (geralmente frango) e dois jogos de mesa costuravam dentro do pano de mesa e dão um para entregaram para o casamenteiro (mulher), que em outro dia desmanchava o pano costurado e servia para os jovens na saída da banya.

O que mais falam os estrangeiros sobre o banho russo?

Pessoas depois da Banya“Fora da cidade eu consegui ver como os russos usam seus banhos. Apesar do muito frio, eles correram para fora do banho no quintal totalmente nu, vermelhos como lagostas cozidas, e pularam no rio que estava do lado. Após se resfriarem o suficiente, corriam de volta para o banho, mas antes de vestir-se, saíram correndo novamente e ainda por um longo tempo, brincando, corriam nus em meio ao frio e ao vento. Para banya os russos trazem vassouras de bétula com folhas e batem com elas em seu corpo, para melhor penetrar a quentura e os poros abrirem mais. Na Rússia todas as doenças tratam os três médicos. O primeiro médico é a Banya Russa, sobre que acaba de ser escrito. Em segundo lugar é a Vodka, na qual bebem como água ou cerveja, todos para quem permitem o saldo bancário. E o terceiro é o Alho, qual os russos usam não só como tempero para todos os pratos, mas comem cru no meio do dia “. Assim dizem as anotações salvas de um estrangeiro sobre uma viagem a Moscou.(13 de novembro de 1709).

Primeiro nas banyas tomavam banho todos juntos: homens e mulheres, mas não em todos os lugares. Nas aldeias desde tempos remotos tomavam banhos em duas trocas: em primeiro lugar os homens e depois as mulheres e as crianças. O primeiro vapor sempre era “masculino”. Em 1743 com a ordem do Senado ficou proibido permitir nas banhas municipais não apenas tomar banho junto os homens com as mulheres, mas também estritamente proibido aos meninos com mais do que 7 anos entrar na banya feminina, e as meninas entrar na banya masculina.

É interessante notar que muitos estrangeiros que estabeleceram se na Rússia, transformando-se seus hábitos quase russos. Naturalmente, eles se acostumaram ao banho russo também. Por volta do século XIX nas grandes cidades surgiram as banyas caras, luxuosamente decoradas com empregados bons e o buffet excelente. Eles rapidamente se tornaram em uma espécie de clubes para pessoas ricas. Em Moscou em um clube-banya tornou-se o famoso Sanduny (Sanduny Bath) onde entravam toda a nata da nobreza russa e os estrangeiros começaram ir lá com prazer.

É curioso que os estrangeiros que viveram muito tempo na Rússia, começaram após de voltar para casa construir seus próprios banhos, com que surpreenderam  pessoas do mesmo país. Especialmente rápido a banya “conquistou” a Alemanha. “Mas nós, alemães – escreveu um médico alemão Max Ploten – tomando este remédio curativo, nem sequer mencionar seu nome, raramente se lembrando que este passo em frente no desenvolvimento cultural foi obrigado ao nosso vizinho do leste.” Banhos começaram a aparecer em outros países, e até um português Antonio Sanshes chegou a publicar um livro “Obra respeitosa sobre as banhas russas.

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Snizhana Maznova
Snizhana Maznova

Estou no Brasil a partir de 2006 e sinceramente posso dizer que adoro esse país com sua cultura tão rica e povo tão simpático. Meu pai é russo e minha mãe ucraniana com raízes da Polônia e Grécia. Até terminar época soviética vivi viajando entre Rússia e Ucrânia e considero os dois países como minha pátria. Além ministrar cursos de idiomas, trabalho como tradutora de russo e ucraniano. Atuo também como intérprete em reuniões entre brasileiros e pessoas da Rússia e Ucrânia, na área turística e viagens de negócio, e assistência para estrangeiros na abertura de empresa no Brasil e pesquisa no mercado etc.

  • Ezio

    Excelente artigo, o primeiro que li e estou aprendendo sobre a cultura russa. Parabéns pelo nível de informação e detalhes de tão rica forma de vida.Ezio